TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
Uso de inteligência artificial no canavial
Sistema permite que Raízen saiba, previamente, sobre produtividade

Por Adriana Ferezim

A palha da cana-de-açúcar é utilizada para a produção do etanol segunda geração

Crédito: Adriana Ferezim

A palha da cana-de-açúcar é utilizada para a produção do etanol segunda geração

A Raízen acredita que o novo ciclo de crescimento da produtividade da cana-de-açúcar está relacionado ao investimento em tecnologia e inovação. A empresa passou a utilizar um sistema de monitoramento dos canaviais com o uso da inteligência artificial. O sistema permite que a empresa tenha conhecimento antecipado, em um ano, sobre a produtividade dos 860 mil hectares de área cultivada da empresa.
A Raízen tem 24 unidades de produção de açúcar e etanol, bioenergia e a planta de etanol de segunda geração (2G), feito do bagaço e da palha da da cana, que fica em Piracicaba, e que tem potencial para elevar em cerca de 40% a 50% a capacidade de produção de etanol, com a mesma área plantada.
O uso dos avanços tecnológicos vai do campo ao consumidor, em todas as áreas de atuação da Raízen, formada pela joint venture entre a Cosan e a Shell. Ela desenvolveu um aplicativo (app) que facilitará o proprietário de um veículo a abastecer o seu automóvel nos postos de combustíveis da rede. Por meio do celular, bastará o motorista digitar o número de seis dígitos que aparece na bomba que está abastecendo o seu veículo, que o valor será lançado na fatura do cartão de crédito do cliente.
Esses dados foram apresentados por Pedro Mizutani, vice-presidente executivo de relações externas e estratégia da Raízen, durante sua palestra no 'Ciclo Desenvolvimento Econômico - Piracicaba 2017', realizado no último dia 8 de agosto.
Ele, o ex-ministro da Fazenda e conselheiro da Cosan, Maílson da Nóbrega, e o diretor de suprimentos da Raízen, José Braga, falaram a cerca de 200 empresários sobre as perspectivas econômicas do País e do relacionamento da empresa com os fornecedores e a cidade de Piracicaba.
Mizutani explicou que a inteligência artificial é aplicada por meio de uma parceria com a startup brasileira, a Space Time Analytics (STA). "Com esse recurso saberemos com até um ano de antecedência qual será a capacidade de produção da safra da cana em todas as nossas unidades", disse.
O modelo foi o primeiro a ser elaborado e utilizado no Brasil para escala industrial. O objetivo é planejar melhor a operação agrícola e fazer o gerenciamento dos riscos em toda a cadeia produtiva, desde o plantio da cana até a comercialização. "O mundo tecnológico é mais previsível. Seu uso nos garante mais estabilidade e segurança", disse Mizutani.
A Raízen também foi pioneira na utilização de equipamentos no setor para realizar o mapeamento topográfico detalhado (VANTs) e o levantamento de falhas na brotação do canavial em 100% da área plantada. "Isso garante a correção do problema de forma rápida e eficiência. A área com deficiência é localizada pelo mapeamento digital, o que antes era feito manualmente pela verificação in loco dos canaviais", comentou.
A revolução do setor Sucroenergético implantada pela Raízen conta ainda com o uso de robótica para a segurança operacional, para redução do tempo de produção, aumento da precisão e da qualidade uniforme dos canaviais. O método faz a coleta de dados automatizada dos canaviais.
Pentágono
A área da Raízen em Piracicaba se tornou um centro de inteligência, que recebeu o nome de Pentágono (referência ao local das ações estratégicas do governo norte-americano). Da sede aqui na cidade, a empresa centraliza todo o controle das operações de 19 unidades produtoras, além de avaliar e definir pela padronização dos processos de toda a logística de corte, carregamento e transporte.
"Se eu tenho um caminhão em outra cidade, como por exemplo, Barra Bonita, eu consigo, de Piracicaba, dizer ao motorista qual é o ponto exato do canavial em que ele irá carregar e para qual unidade ele levará a cana. Isso otimiza o processo e também dá mais segurança para a empresa e para os funcionários".
A Raízen tem como meta permanecer sempre à frente e manter os projetos inovadores. Para isso, no mês passado, lançou o Projeto Pulse.
"É um espaço de coworking e aceleração de startups para trazer inovações tecnológicas para o Agronegócio. Já temos duas empresas hospedadas e esperamos que mais possam participar. A empresa é um organismo vivo e em constante evolução e ela tem de se adaptar, usar a tecnologia, os satélites, a rede de dados, os algoritmos de otimização e predição, tudo isso faz diferença porque é preciso cada vez mais ampliar a eficiência e a produtividade", afirmou.
Na Raízen, a colheita mecanizada dos 60 milhões de toneladas produzidas por safra conta com uso da tecnologia para o controle do tráfego. O modelo permite que a colhedora seja guiada automaticamente na linha da cultura. No plantio, o piloto automático é utilizado integrado com as VANTs.
A renovação e a sustentabilidade também são políticas prioritárias na Raízen, que já produz energia elétrica para as suas unidades e acaba de investir em uma planta para a produção de biogás, que comercializará 2.410.584 MWh (Mega Watt/Hora) por 25 anos. "É o maior projeto dessa natureza da Indústria Sucroalcooleira no País", ressaltou.
Mizutani, afirmou ainda que é um orgulho para todos da empresa que todo o crescimento do grupo Cosan tenha começado em Piracicaba, no bairro Costa Pinto, em 1936. Atualmente a Raízen emprega cerca de 30 mil pessoas, sendo quatro mil pessoas na região de Piracicaba e no CAR (Centro Administrativo Raízen) são 1.750 funcionários.
"Todo o desenvolvimento de projetos, inovação e tecnologia é feito a partir de Piracicaba e é por isso que foi definida aqui a implantação da unidade produtora de etanol 2G", afirma.
Ambiente estável e políticas públicas
Segundo Pedro Mizutani, além do uso da tecnologia para ampliar a eficiência e a produtividade para atender a demanda mundial de açúcar e etanol, o esforço do setor privado necessitará ainda de "um ambiente regulatório estável e políticas públicas consistentes".
Por esse motivo, ele defende a aprovação do programa Renovabio (Política Nacional de Biocombustíveis elaborada pelo governo federal) para a expansão dos biocombustíveis, incluindo-os na matriz energética do País, com estabilidade e geração de empregos. A proposta corrobora com o Acordo de Paris, que o Brasil assinou, comprometendo-se a reduzir 43% das emissões de gases que aumentam o efeito estufa (aquecimento global) até 2030.
"Seguindo as diretrizes da COP 21, o crescimento na produção do etanol será de 18%, isso significa saltar de uma produção de 28 bilhões de litros para 50 bilhões de litros até 2030", afirmou.
Ele disse que a Renovabio é fundamental para garantir a segurança energética e o abastecimento, gerar benefícios ambientais, sociais e de saúde pública, promover a geração descentralizada de renda, estimular a inovação na indústria nacional e a eficiência energética, além de preservar a infraestrutura existente, como a distribuição, a revenda, e, principalmente, recuperar o interesse do setor privado em novos investimentos.
Ciclo tem nova palestra nesta terça-feira
O 'Ciclo Desenvolvimento Econômico' é uma ação inédita que reúne as quatro maiores multinacionais de Piracicaba para discutir os rumos da Economia e fomentar negócios, à medida que elas apresentam como as empresas da cidade as suas políticas de contratação de fornecedores.
O evento é promovido pela Associação Comercial e Industrial de Piracicaba (Acipi), Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Piracicaba e região (Simespi) e Prefeitura Municipal . Foi idealizado pelo empresário Lourenço Tayar e pelo secretário estadual de Emprego e Relações do Trabalho, José Luiz Ribeiro, e conta com o apoio da Gazeta de Piracicaba.
A próxima palestra será nesta terça-feira (15), com o diretor-executivo administrativo da Hyundai Motor Brasil, Ricardo Augusto Martins, às 19 horas.
Mais informações e inscrições pelo site: www.acipi.com.br.