Nancy Thame
Beleza insuperável

Por Nancy Thame

Nancy Thame

Crédito: Christiano Diehl Neto

Nancy Thame

Nativa na América do Sul, esta árvore cresce em florestas tropicais. Em extinção em seu habitat natural, invadiu as cidades, presenteando-nos com sua imensa beleza e floração exuberante. Nesta época, final do Outono e início do Inverno, período que se caracteriza pela diminuição das chuvas e queda da temperatura, somos brindados com uma explosão de cores das flores de muitas árvores.
No entanto, o ipê-roxo (Tabebuia heptaphylla) é destaque, quando suas flores de tons arroxeados explodem em beleza insuperável. É o primeiro dos ipês a florescer no ano.
No Brasil, os índios a chamavam de "Árvore divina". Foi da medicina natural que originou o nome botânico do Ipê Roxo - Tabebuia impetiginosa. Isso porque as pessoas costumavam usar o chá para tratar da doença do impetigo, uma inflamação da pele do rosto.
O Ipê-Roxo é tido como um poderoso auxiliar no combate a determinados tipos de tumores cancerígenos. Para os incas, essa era a 'planta mestra'. Na segunda metade do Século 19, o médico e botânico Von Martius relatou, no livro Systema de Matéria Médica Vegetal Brasileira, o uso do ipê contra várias doenças.
É usado também como analgésico e como auxiliar no tratamento de doenças estomacais e da pele. É uma das espécies mais estudadas, com alto valor econômico, considerando-se as finalidades de sua madeira e extrativos foliares, além da diminuição preocupante do número de árvores encontradas em áreas de ocorrência natural.
A partir da iniciativa de Walter Accorsi, referência de nossa cidade e no País, na década de 1960, equipes multidisciplinares reproduziram e aceleraram, dentro e fora de universidades, as pesquisas sobre os ipês.
Os resultados dessas pesquisas indicam que seus elementos fitoquímicos atuam nos sistemas respiratório e gástrico. As indicações são para os casos de bronquite, infecção, asma, úlceras gástricas e duodenais, arteriosclerose, gastrite, eczema, estomatite e neoplasias (câncer).
A filha e seguidora de Walter Accorsi, Walterly, acrescenta que o uso do fitoterápico não dispensa o tratamento convencional com cirurgia, químio e radioterapia. "Como todo remédio fitoterápico, o pau d'arco (ipê roxo) não é sintetizado, mas natural. Por isso o efeito é mais lento, porém mais consistente. A eficácia varia de paciente para paciente porque depende de como cada organismo assimila os princípios ativos".
Os médicos tradicionais vêm com reservas o uso medicinal do ipê-roxo. Controvérsias à parte, o ipê-roxo correu o mundo e, com ele, o pesquisador Walter Accorsi. Logicamente seu uso requer acompanhamento e conhecimento científico.
Os ipês-roxos, assim como os outros ipês, são muito utilizados no paisagismo urbano, pela beleza e também pelo desenvolvimento relativamente rápido. Porém, devemos tomar cuidado quanto ao local de plantio, pois se trata de uma árvore de grande porte, com até 30 metros de altura e com raízes vigorosas e profundas.
Apesar de encontrarmos esta árvore nas calçadas, ela somente deve ser utilizada em espaços maiores. Temos um bom exemplo na Avenida Saldanha Marinho, onde foi bem colocada nos canteiros centrais. Pode também se tornar inconveniente em decorrência da queda das folhas ou flores ou ao alcançar a fiação elétrica ou de telefone, devido a sua altura.
Com colorido alegre, contrastando com a vegetação que começa a secar ou que muda o tom do verde nesta época, o ipê parece nos convidar para uma maior reflexão sobre a capacidade que temos de valorizar, agradecer e cuidar dos recursos que a natureza coloca à nossa disposição.