Renata Passos
E quando a competição é dentro da própria equipe?

Por Renata Passos

Renata Passos

Crédito: Divulgação

Renata Passos

Em campo é assim, times trocam camisas oficiais e se cumprimentam educadamente antes e ao final de cada jogo.
Sinal de respeito, educação, norma de conduta.
Após o aviso marcando o início, os mesmos homens educados se jogam com todo o futebol, com toda garra, técnica, disposição, atrás de seus sonhos.
A bola é só um meio.
Um grande jogador não corre atrás da bola, ele corre porque está no jogo, pelo prazer do drible, da passada, de atacar e defender. De chutar e de correr.
Tudo para ver a bola entrar no gol, a galera delirar na arquibancada, o placar registrar seu nome e o locutor repetir o número de sua camisa.
O grande jogo começa na definição da estratégia de jogo, na preparação, na concentração. Lá - o campo - é só o dia de um jogo que começou há muitos dias atrás.
Jogadores ganham quando estão em sintonia, quando reconhecem suas forças e fraquezas e quando passam a bola.
As empresas, muitas vezes, chamam seus funcionários de TIMES, mas criam estratégias de atuação para que cada um fique com a "bola no pé".
Não passam informações, guardam documentos importantes, fazem a política da boa vizinhança, não brigam, mas também não ajudam.
Se a empresa decide premiar e bonificar os grandes jogadores, tem que ter bem claro os critérios de eleição.
Chamar todos de jogadores, de time e oferecer comissões e privilégios para poucos não é lá uma grande sacada!
O mesmo capitalismo que gera riqueza alimenta o pior lado do ser humano: a competitividade.
Nas empresas alguém pouco competitivo é alguém que é colocado de lado. Nossa cultura privilegia o mais forte, o mais agressivo, o que "parte pra cima"!
Muitos empresários e líderes acreditam que quanto mais os funcionários competirem entre si, mais resultados terão.
Foi assim até hoje.
Pode perceber, existe ranqueamento dos melhores do mês, melhores vendedores, quem é o primeiro, o segundo, o último lugar...
Esse tipo de estratégia em longo prazo tem se mostrado matadora e não se sustenta em tempos de crise.
O mesmo líder que incentiva a competição interna e compara resultados, nos momentos de dificuldade pede que as mesmas pessoas sejam solidárias e colaborem umas com as outras.
Ou seja, uma regra para cada situação?
Cada vez vejo mais pessoas correndo atrás das metas e as metas correndo das pessoas.
Não dá para culpar só a Copa, as eleições ou a situação do nosso País!
Tempos diferentes necessidades diferentes, estratégias diferentes,
Simples assim.
O que nos trouxe até aqui, não pode ser o mesmo que nos levará daqui pra frente!
O que deu muito certo no passado, hoje pode fracassar.
Os maiores fracassos sempre vêem de pessoas com muita experiência.
Excesso de confiança dos jogos anteriores.
Não estou defendendo a igualdade, mesmo porque, não se defende o que não existe.
Defendo sim, uma cultura empresarial onde os funcionários ganhem mais a medida do desempenho de todos e não só de poucos.
Um ajudando o outro nas suas fraquezas, fazendo pelo todo e não só pra si.
Imagine nas escolas se a média no boletim fosse a média da sala...
Um aluno ajudando o outro, ensinando, emprestando caderno, sabendo que sua nota também depende do desempenho do outro. A escola não precisaria oferecer aula de reforço.
Nossa natureza é individualista, egoísta e cheia de vaidade.
Mas ela pode ser menor a cada dia dependendo de nossas escolhas.
Ou optamos por fazer só a nossa parte e ter sempre os mesmos resultados, ou nos enchemos de coragem e nos abrimos para os relacionamentos e formamos um grande time.
Em qualquer quadra, gramado, escritório, loja, indústria, sala de aula ou dentro de nossas casas.
Um mundo mais sustentável não depende só de boas práticas ambientais, mas de pessoas dispostas a compartilhar, conviver, sorrir, dividir e amar!
Simples assim, só isso e a vida seria tão mais leve...