Nancy Thame
Uma praça com sentido

Por Nancy Thame

Nancy Thame

Crédito: Christiano Diehl Neto

Nancy Thame

Quem não gosta de ter um espaço verde ou uma praça bem cuidada perto de sua casa? Por todo lugar ouvimos muita gente que gosta do assunto.
Um bom projeto deve contemplar os anseios da população. Na área central, o trânsito é mais intenso, as pessoas que por ali passam nem sempre moram no entorno. Sendo assim, os olhares são de diferentes percepções, em momentos mais fluidos. Se houver manifestações, por exemplo, este espaço será lembrado e é preciso pensar em ter um local para as aglomerações mais intensas.
Diferente disto, quanto pensamos nas praças dos bairros, há um uso mais familiar, mais próximo, com outros vínculos. A participação popular para a concepção do projeto pode trazer o pertencimento, o uso mais frequente do espaço e, principalmente, a construção para as diferentes faixas etárias dos moradores. A consulta pública é sempre interessante para verificar o real uso desejado pela população. E porque não um concurso público para o melhor projeto?
De qualquer forma, é importante não somente revitalizar as praças, mas dar um sentido em todo o seu entorno. É preciso privilegiar o pedestre.
Há casos em que é possível um tipo revolucionário de paisagismo, com resgate histórico e biológico da flora que foi perdida com a colonização. Se nos propusermos a isto, as crianças podem ter o contato com frutas raras e alguns animais nativos, o que forma um novo senso de preservação para as gerações futuras.
Somos o país com a maior biodiversidade do planeta. Só na mata atlântica existem mais de 15 mil espécies vegetais. Não faz sentido um país com uma flora tão rica, não fazer uso destas plantas em seus projetos paisagísticos. Placas ilustrativas podem trazer a identificação das espécies para o aprendizado.
Uma praça pode ser a oportunidade para estabelecimento de vínculos determinantes na formação de cada um de nós.