Jocelem Salgado
Alimentos funcionais

Por Jocelem Salgado

Jocelem Salgado

Crédito: Christiano Diehl Neto

Jocelem Salgado

Hoje meu artigo vai ser diferente. Achei interessante responder aos meus eleitores as muitas dúvidas a respeito do que são os alimentos funcionais, qual o papel deles no nosso organismo e como atuam para prevenir e reduzir o risco de doenças, principalmente das doenças crônico-degenerativas (câncer, diabetes, osteoporose, doenças cardiovasculares, osteoporose, Alzheimer, Parkinson, depressão, entre outras). Vamos às perguntas:
1. O que são alimentos funcionais e qual o papel deles na nossa alimentação?
Para ser considerado alimento funcional, o produto deve conter componentes/ingredientes capazes de nutrir e também de prevenir/reduzir o risco de doenças crônicas não transmissíveis, tais como as cardiovasculares, o câncer, diabetes, entre outras. A eficácia e segurança desses alimentos devem ser asseguradas por estudos científicos.
É importante esclarecer também que os alimentos funcionais não curam doenças, ao contrário dos remédios. Eles apresentam componentes ativos capazes de prevenir doenças ou reduzir o risco de certas doenças. Quando consumidos em sua forma natural, ou seja, na forma de alimento, não apresentam contraindicações e podem ser consumidos com tranquilidade, sem prescrição médica. Já os princípios ativos isolados em cápsulas devem ser prescritos por profissionais da saúde, uma vez que existe uma dosagem limite que deve ser considerada para que não haja danos à saúde.
2. Quais os principais alimentos funcionais pesquisados no Brasil e no mundo?
São inúmeros os alimentos e as substâncias ativas pesquisadas. Entre as principais, destaco a soja, peixes e óleos marinhos, tomate e goiaba vermelha, frutas vermelhas e roxas como amora, uvas, morango, mirtilo, framboesa, as frutas cítricas, as crucíferas (brócolis, repolho, couve flor, couve de bruxelas), alho e cebola, chá verde, cereais integrais como aveia e centeio, vinho tinto, probióticos (alimentos que contém microorganismos vivos), entre outros....
3. Como a senhora vê a alimentação do brasileiro? Ela é adequada do ponto de vista nutricional?
Infelizmente a alimentação do brasileiro já não é mais como antigamente. Por conta da industrialização crescente e do lançamento de produtos atraentes pela indústria, a nossa população vive hoje um processo que denominamos de transição nutricional. Diminuímos o consumo de alimentos ricos em fibras e pobres em gorduras como os cereais integrais, frutas e hortaliças, e aumentamos o consumo de alimentos ricos em açúcar, sal e gorduras, principalmente de origem animal. Essa alteração no padrão alimentar gerou ao que chamamos de transição epidemiológica, ou seja, deixamos de sofrer com as doenças infecciosas (comuns até a metade do século passado) e passamos a ter problemas seríssimos com as doenças não transmissíveis como cardiovasculares, diabetes, obesidade, câncer, hipertensão, etc.
4. Quais alimentos podem ter um papel importante na redução do risco de doenças cardiovasculares? Como eles agem?
Proteínas de soja e isoflavonas: a principal função desses dois componentes é reduzir o risco de doenças cardiovasculares, osteoporose e aliviar ondas de calor em mulheres na fase de menopausa. Estudos têm mostrado que as isoflavonas são também capazes de reduzir o risco de câncer de mama e de próstata.
- Ácidos graxos ômega 3: componentes encontrados em peixes e óleos de peixes marinhos são capazes de reduzir doenças cardiovasculares e processos inflamatórios. Estudos recentes têm mostrado resultados positivos para doenças ligadas ao sistema nervoso como depressão, mal de Alzheimer, entre outras. Eles podem ser encontrados em cápsulas ou em leites e iogurtes enriquecidos.
- Fitosterol: ingrediente extraído de óleos vegetais com ação positiva sobre as doenças cardiovasculares. Atualmente existe uma margarina no mercado com adição de fitosterol. No entanto, para exercer efeito, o consumo dessa margarina tem que ser alto.
- Fibras: advinda de fontes como aveia, centeio, farelos em geral, gomas, etc., também proporcionam um bom funcionamento intestinal, reduzindo o risco de constipação (intestino preso), diverticulite e doenças mais graves como o câncer de cólon. Elas têm sido utilizadas para dar saciedade no tratamento da obesidade e reduzir o risco de doenças cardiovasculares e diabetes. São utilizadas em inúmeros alimentos, em quantidades variadas. Do meu ponto de vista, para funcionar bem, o alimento deve, no mínimo, conter mais de 5g de fibras por porção.
5. Os alimentos podem retardar o processo de envelhecimento, ajudando a prolongar a vida de uma pessoa?
Os estudos científicos mostram que dentre vários fatores, a nutrição é a que mais está ligada à qualidade de vida e à longevidade do ser humano, sendo que várias mudanças decorrentes do processo de envelhecimento podem ser atenuadas com uma alimentação adequada e balanceada nos aspectos dietético e nutritivo. O consumo excessivo de alimentos ricos em gordura, sal, carboidratos simples (produtos refinados como açúcar) e o consumo exagerado de bebidas alcoólicas ao longo da vida são hábitos amplamente relacionados com as alterações físicas e doenças ligadas ao envelhecimento. Ao contrário, a ingestão de alimentos ricos em fibras, vitaminas, minerais e fitoquímicos presentes em frutas, hortaliças, cereais integrais, nozes e castanhas variadas está relacionada ao retardo do envelhecimento e redução de doenças relacionadas à idade. (Continua na próxima semana).
Uma ótima semana a todos, um forte abraço e até o nosso próximo encontro.
Jocelem é autora dos livros: Previna Doenças: Faça do Alimento o Seu Medicamento, Alimentos Inteligentes, Guia dos Funcionais, Editora Ediouro.